GENERAL SEVERIANO UMA HISTÓRIA DENTRO DE UMA HISTÓRIA DECADA 70

NOITE DE QUEIJOS E VINHOS
Há muito tempo o BFR não realizava uma reunião tão elogiada como a "Noite de Vinhos e Queijos”, promovida na sede colonial da Av. Venceslau Brás, para sócios e convidados. Isso aconteceu, como foi amplamente noticiado, a 10 de setembro último. Foram vendidas todas as mesas. E ficou, mesmo assim, muita gente de fora. A caneca, então, distribuída, com o escudo do BOTAFOGO, era uma beleza, todo mundo guardou com carinho, levando como lembrança da festa. Houve ainda sorteio de valorosos brindes. O Clube precisava organizar um programa social à altura das suas tradições. Agora, está trabalhando nesse sentido. O Vice-Presidente "mexeu-se" e contou, desde logo, com a colaboração de ilustres senhoras, inclusive da primeira dama do Clube, D. Eugênia Borer. Parabéns, Vitor Hugo e sua magnífica equipe. Foi uma festa que agradou em cheio, tudo correu na mais perfeita ordem. Foi, enfim, um sucesso, um bom começo. E, pelo visto, vamos continuar assim, eis que, pelo programa organizado para os próximos meses, já publicado com antecedência, em outro local desta Revista, tudo denuncia. e aí vem, por exemplo, a "Noite do Espaguete". E o regime, como vai ser? Uma vez não dá para engordar muito...
Estampamos aqui alguns aspectos da festa.
Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Boletim Oficial BFR nº 224 outubro1976
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TRÊS GLÓRIAS ALVLNEGRAS
Ainda na missa de aniversário do BFR, repleta de ilustres e queridos botafoguenses. O nosso querido Carlito Rocha, quando comungava e outro aspecto do ato religioso, com a presença de pessoas que há muito não compareciam ao clube. Ao final da missa, Carlito Rocha, católico fervoroso, na sua alegria contagiante, não resistiu e deu um HIP! HURRA à Imaculada Conceição sua Santa predileta e grande padroeira do Botafogo. Todos os presentes responderam ao seu grito de saudação.
No dia 8 de dezembro transcorre sempre uma data que assinala um fato auspicioso, digno de ser lembrado por todos nós. É que, naquela data, em 1942, uniram-se, oficialmente, o Club de Regatas Botafogo e o Botafogo de Football Club. Mas, na verdade, esse magnífico episódio da fusão, foi apenas formal, pois as dois clubes sempre foram um — de nomes, cores e idéias idênticos. Não se compreendia que vivessem vida diferente. Até as famílias eram as mesmas, todos se conheciam. No mesmo bairro, nasceram e se agigantaram, apenas separados por seções especializadas, um no mar e outro em terra. De longa data, todos esses botafoguenses acalentaram o doce sonho da fusão que, na certa, criaria um outro clube, maior e poderoso. E, assim, realmente, aconteceu, surgindo, então o glorioso BOTAFOGO DE FUTEBOL E REGATAS.
O evento, infelizmente, foi marcado por uma tragédia, a qual precipitou os acontecimentos. A 12 de junho, na quadra do Mourisco, preliavam os dois Botafogo, em disputada partida de basquetebol, quando um jogador — Armando Albano — tombou surpreendentemente na arena, fulminado pela morte! O que se seguiu, foi comovedor e os dois Botafogo uniram-se na dor comum. O enterro do nosso inesquecível campeão, saindo da sede do Botafogo de Football Club, ao passar pela sede do Club de Regatas Botafogo, parou um momento para ouvir as palavras de Augusto Frederico Schmidt, presidente do C. R. Botafogo, que, refrindo-se ao jogo que fora suspenso quando o Botafogo F. C. vencia por 23x21, declarou nobremente: "—E comunico nesta hora a Albano que a sua última partida, resultou numa nítida vitória. O tempo que resta do jogo interrompido, os nossos jogadores não disputarão mais. Todos eles e nós todos, queremos que o jovem lutador desaparecido, parta para a grande noite como um, vitorioso. E é assim que o saudamos". Agradecendo tão comovedoras gentilezas, o Presidente Eduardo Trindade endereçou ao C. R. Botafogo o oficio de 17 de junho afirmando: "— Nas disputas entre os nossos clubes, — o Botafogo de Regatas e o Botafogo de Football, — só pode haver um vencedor: o Botafogo!", ao que, dois dias depois, o Presidente Schmidt respondeu: Que mais é preciso para que os nossos dois clubes selam um só?" Daí a idéia antiga da fusão tomou o impulso de uma torrente irresistível. E aconteceu pouco tempo depois. A data de 8 de dezembro de 1942 foi então escolhida por ser a festa da Imaculada Conceição.
O pavilhão do Club de Regatas Botafogo era branco, com um retângulo negro ao alto, com a estrela solitária. A bandeira do Botafogo de Football Club era em listras pretas e brancas, com as iniciais ao centro . De um e outro saiu a atual bandeira. A nossa capa é uma homenagem a essas três glórias alvinegras.
Ficou acentuado que, com a fusão, como o futuro comprovou, foi a melhor solução para os dois clubes, pois hoje somos, inegavelmente, uma das maiores glórias dos desportos do Brasil. Segue, pois, o Botafogo, impávido sua história quase centenária, agora lembrada, para conhecimento dos mais jovens.
O Grande Benemérito Paulo de Azeredo, uma das, maiores figuras do Botafogo, cumprimenta o Sr. Alternar Dutra de Castilho, que recebeu, também, o prêmio de "Honra à Fidelidade", como antigo atleta do clube. Na outra foto, Carlito Rocha, entusiasmado e satisfeito, chamando a atenção do Presidente Charles Borer para a beleza do altar, preferindo, como disse, ficar de frente, para a de N. S. da Conceição, não participando da grande mesa constituída para a entrega das medalhas. Carlito Rocha continua sendo um homem espetacular. Ele gostaria de viver a vida toda dentro do Botafogo. Estava alegre, foi o dono da festa e ficou até o fim.
Todos os anos festejamos esta data. Houve missa na sede, com a presença das grandes figuras do Botafogo, sempre queridas e admiradas, prestigiando inclusive, após aquela solenidade, a entrega do "Prêmio à Fidelidade" a seus antigos atletas nas três fases do clube. A festa foi magnífica e o salão esteve repleto, em ambiente de maior cordialidade e perfeita compreensão . Foi servido, na ocasião, um excelente coquetel. E ainda, no dia 10, foi realizado o baile de aniversário, também bastante concorrido, Nas páginas desta Revista vários aspectos da festa de comemoração.
Um, outro aspecto do baile de aniversário do BFR.
Notando-se o Presidente Charles Borer e senhora, na companhia do Juiz Humberto Manes, professor de Direito Civil, da Faculdade de Direito da UERJ e de Fernando E. F. Mesquita, Diretor do clube e chefe da torcida organizada UNIFOGO, no meio dos dois.
Acervo particular Marcelo Serafim
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 226 de dezembro de 1976
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O baile de aniversário do BFR, realizado no dia 10 de dezembro, prolongou-se até altas horas da madrugada. Houve um jantar-dançante, animado por JOAR GELLI e seu fabuloso órgão Yamaha, único na América do Sul. Esse aparelho, caríssimo, é uma orquestra perfeita, conforme, recentemente, foi exibido na TV. Ele, por si só, vale um espetáculo. Nas fotos, aspectos do salão, com as senhoras responsáveis pela festa, o Presidente Charles Borer e família, e a mesa da Dr. Erasmo Couto, na companhia do Dr. Jorge Aurélio R. Domingues, advogado do nosso Departamento Jurídico.
O BFR SEMPRE TEVE MULHERES BONITAS
É sabido que nos concursos de beleza, o BFR, através das suas representantes, tem se sobressaído, de forma excepcional, em todos os tempos. A lista começa com Olga Bergamini, de Sá, em 1922; Vânia Pinto, em 1938; Adalgisa Colombo, em 1958; Gina Macpherson, em, 1960; e Maria Raquel de Andrade, em 1965. Todas elas foram eleitas "Miss Brasil", concorrendo pelo nosso clube, além de outras candidatas, em, número de quatro, escolhidas "Miss Guanabara". Devemos ainda lembrar que a primeira "Senhorita Rio, Andréa Bello, foi candidata do alvi-negro. Pois bem, recentemente, tivemos o grande prazer de receber, em uma das nossas festas sociais, a visita de Vânia Pinto que, apesar dos anos, ainda tem traços de alta beleza, além da sua natural elegância feminina. Na foto, Vânia Pinto, tendo à parede, à direita, o seu retrato na época do concurso, em 1938, colocado, como os outros, no Gabinete da Presidência.
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«PRÊMIO HONRA À FIDELIDADE»
"O Presidente do Botafogo de Futebol e Regatas, no uso de suas atribuições estatutárias, e de acordo com o Regulamento do "Prêmio Honra à Fidelidade", aprovado em 5 de novembro de 1962, concede, na data comemorativa da fusão do Club de Regatas Botafogo e do Botafogo Football Club, a referida Medalha, instituída em 1954, aos atletas que, por dez ou quinze temporadas, sucessiva ou intercaladamente, defenderam o Clube em quaisquer modalidades desportivas, contra representações de outras agremiações, em competições oficiais ou amistosas. A esses atletas são conferidos os seguintes prêmios:
a) dez temporadas — medalha de prata; b) quinze temporadas — medalha de ouro.
Pelo referido Regulamento foram organizados três quadros de "Honra à Fidelidade", relativos, respectivamente, ao Clube atual e aos antigos Club de Regatas Botafogo e Botafogo Fotball Club. Eis os atletas, agora agraciados:
QUINZE TEMPORADAS — MEDALHA DE OURO
Alkindar Dutra de Castilho; Althemar Dutra de Castilho; Ivan Sérgio Magalhães; José Oscar Zelaya Alonso; José Roberto Haddock Lobo; Luiz Maurício Guaraná Monjardim; Neyde dos Santos Gomes; Paulo Teixeira Soares; Raul do Rego Macedo Sobrinho.
DEZ TEMPORADAS — MEDALHA DE PRATA
Adhemar Ferreira Serpa; Adjalme Gomes de Carvalho; Alfredo Silva; Alkindar Dutra de Castilho; Althemar Dutra de Castilho; Ana Cecilia Barbosa Viana Freire; Barnabé dos Santos Souza; Benjamin de Almeida Sodré; Carlos Eduardo Carvalho; Carlos Leal Burlamaqui; Carlos Martins da Rocha; Claudio Macedo Abtibol Neto; Clovis Soares Dutra; Clovis Soares Dutra Filho; Edgard Julius Barbosa Arp; Edgard Soares Dutra; Enio Carvalho Daudt de Oliveira; Heloysio Martins Pereira; Henrique Plácido Barbosa; Hercilio Aldo da Luz Collaço; Ivan Sergio Magalhães; Jayder de Oliveira Freitas; João Dutra de Castilho; João Marcos Woolf de Oliveira; José Albano da Nova Monteiro;José Oscar Zelaya Alonso; Lucy Maurity Burle; Luiz Martins da Rocha; Luiz Maurício Guaraná Monjardim; Luiz Nobs Rodrigues Rego ;Marcelo Vieira Meirelles; Mario Burger Rego Monteiro; Mario Ferreira; Mario Stiebler Dunlop; Newton Pereira Reis; Neuci Ramos da Silva; Neyde dos Santos Gomes; Oswaldo do Rego Macedo; Paulo Roberto de Freitas; Paulo Teixeira Soares; Raul do Rego Macedo Sobrinho; Rodrigo de Jesus Andrade; Romacild Maria Roma Carneiro Felippe; Sebastião de Almeida Pocinha; Silvina das Graças Pereira; Sylvio Gracie; Teodoro de Almeida Sodré; Victor Corrêa Gonçalves; Ivette Mariz Silva Araujo.
Rio de Janeiro, 8 de dezembro de 1976.
a) CHARLES DE MACEDO BORER — Presidente"
— Após a missa, às 18 horas, realizada no salão nobre da sede, na Av. Venceslau Brás, pela passagem de mais um aniversário do B.F.R, procedeu-se a entrega da bonita medalha referente ao "Prêmio Honra à Fidelidade", com a presença das mais altas, figuras do clube, inclusive do fundador do Botafogo Foot-Ball Club, Desembargador Emmanuel Sodré, muito satisfeito em comparecer à festa, na companhia do seu irmão, o Almirante Benjamin de Almeida Sodré outra glória botafoguense.
Acervo particular Marcelo Serafim
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 226 de dezembro de 1976
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Mas vamos acrescentar mais alguns elementos alem do que consta na Wikipédia. Pouco tempo após a definição da venda da Sede de General Severiano juntamente com o campo de futebol anexo, um grupo de conselheiros incluindo entre eles o eterno presidente Carlito Rocha entrou com uma ação na justiça para interromper a demolição do estádio pois a sede em um processo de tombamento como patrimônio histórico da cidade impedira a Vale de colocá-lo abaixo para no lugar construir um edifício-sede da companhia.
Por determinação da justiça as obras que já estavam em adiantado estado foram paralisadas restando apenas uma pequena parte das arquibancadas.
Esse processo se arrastou por anos e em consequência o casarão da antiga sede ficou praticamente em ruinas.
No início da década de 1990 para reaver a posse da antiga sede e da área do campo de futebol o Botafogo negociou com a Vale do Rio Doce a permuta pela sede do Mourisco Pasteur.
Depoimento pessoal sobre o Estádio de General Severiano
Ingressei no clube em 1973 no Departamento Social sob a gestão do então presidente Rivadávia Corrêa Meyer Jr. Nessa época já andava em andamento, face a situação financeira precária do clube, a venda da sede de General Severiano, o que posteriormente se concretizou na gestão do então presidente Charles Borer. As obras de demolição do campo começaram no ano de 1977 com a venda para a Cia. Vale do Rio Doce. Mas o casarão não foi demolido pois foi tombado pelo Patrimônio Histórico:
BOTAFOGO FUTEBOL E REGATAS
Avenida Venceslau Brás, 72 - Botafogo
Lei nº 477 de 15/12/83- DOM de 22/12/83 (Sancionada)
Tombamento: definitivo / Averbado: não
Informação do site da Prefeitura do Estado do Rio de Janeiro
Um grupo de conselheiros liderados pelo eterno presidente Carlito Rocha entrou com uma ação como segue abaixo:
"Porém a demolição do campo continuou até o momento que um grupo de conselheiros, entre eles o eterno presidente Carlito Rocha, ingressou com uma ação popular junto a 9a Vara Federal com o objetivo de anular a venda do imóvel à Vale do Rio Doce. Além dele assinaram o documento outros botafoguenses históricos como Renato de Paula e Silva Tavares, Brandão Filho, Emílio Beakline, Julien Gomes de Oliveira. Como testemunhas foram indicadas 25 pessoas ligadas à vida do Botafogo, como os ex-presidentes Althemar Dutra de Castilho, Nei Cidade Palmeiro e Rivadávia Correa Meyer, o desembargador Fabiano de Barros Franco, membro do tribunal de alçada do Estado do Rio de Janeiro, Nelson Mufarrej, ex-secretário de Finanças do Rio no tempo em que a cidade era a capital da República. Na fundamentação da ação dizem os autores que a venda do terreno da sede e do campo foi feita por valor inferior ao do mercado ( o Botafogo recebeu 90 milhões de cruzeiros, mas os inimigos da venda dizem que a área vale no mínimo 170 milhões) e que o Conselho Delibarativo exorbitou ao dar autorização ao atual presidente do Botafogo, Charles Borer, para efetuar a transação. Embora alguns signatários, admitam que a ação conseguirá, ao máximo, retardar em 2 ou 3 anos a demolição da sede, os não-mudancistas obtiveram uma vitória importante, porque o juiz federal concedeu liminar - uma decisão judicial que não entra no mérito da causa - para o fim de sustar a demolição. Graças a isso na tarde do dia 24, próximo passado (1977), quando a Vale do Rio Doce foi a sede do Botafogo para receber as chaves do prédio e assumir a posse de toda a área, que ela já começara a demolir, o presidente Charles Borer polidamente se negou a entregar o casarão, sob a alegação de que o caso está pendendente de decisão judicial. Logo que foi informada da ação popular, a Vale do Rio Doce teve a precaução: adiou o início dos trabalhos de sondagem do terreno, que deveriam começar no fim de janeiro."
Transcrito da Revista Placar Magazine de 4 de fevereiro de 1977
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Acompanhei as obras de demolição do antigo campo com grande tristeza pois ali acompanhava todos os jogos de futebol não importando se eram do Glorioso ou de outras agremiações. Se tinha jogo do campeonato juvenil entre outros clubes, eu estava lá. Campeonato infantil lá estava eu. Campeonato de aspirantes e profissional idem. Ficava na área social, pois alem de tudo tambem era sócio do clube. Acompanhei de perto treinos com grandes jogadores como Manga, Joel, Cao, Wendel, Dirceu, Carbone, Jairzinho, Afonsinho, Paulo Cesar Caju, Marinho Chagas o Diabo Louro.
Francisco das Chagas Marinho, mais conhecido como Marinho Chagas (Natal, 8 de fevereiro de 1952 — João Pessoa, 1 de junho de 2014) O Marinho quando veio para o Botafogo do interior do Brasil e quando firmou seu primeiro contrato como profissional, deslumbrado pelo Rio, com dezenas de meninas estudantes que se aglomeravam no casarão da sede social para poder ver, falar e pedir autógrafo, fez algo no mínimo inusitado: comprou um carro para ir treinar em cada dia da semana ou seja um para 2a feira, outro para a 3a feira e assim sucessivamente menos no domingo quando era dia de jogo. Foi na sede de General Severiano que conheci a hoje minha esposa Rita que também ali trabalhava.
As fotos abaixo pertencem ao meu acervo gentilmente cedidas pelo presidente Carlito Rocha
Campo após demolição
Carlito Rocha no centro do antigo campo
Ao fundo à esquerda parte de trás da capela que o presidente Carlito Rocha mandou erguer no jardim da sede de General Severiano e que até a data de hoje se encontra lá
Vigas que sustentavam as arquibancadas
Ao fundo a esquerda da foto pedaço da arquibancada que ainda não tinha sido demolida
Mastro já sem a bandeira
Vista frontal da capela
Mastro ainda com a bandeira
Vista do campo após a demolição
Outra vista do campo após a demolição vendo-se ao fundo à direita Carlito Rocha com alguns funcionários do clube (Carlito Rocha é o 3o da direita para a esquerda)
Lateral da sede vista do campo
Sede após a ultima pintura antes da demolição do campo
Sede com visão da calçada do lado oposto
Esta é a ultima bandeira que foi hasteada no mastro de General Severiano um pouco antes da entrega para a Vale do Rio Doce e que hoje faz parte do meu acervo pessoal.
Como já disse anteriormente acompanhei de perto o futebol quando havia jogos oficiais no estádio de General Severiano.
Pude conviver no meu dia a dia com vários jogadores e posso destacar entre eles o Dirceu. Dirceu José Guimarães, mais conhecido como Dirceu (Curitiba, 15 de junho de 1952 — Rio de Janeiro, 15 de setembro de 1995).
Jogador canhoto super habilidoso com um drible desconcertante, preparo físico invejável e um ser humano magnífico.
Certa feita quando transcorria no casarão da da sedede General Severiano uma festa junina onde havia um concurso para se eleger a fantasia mais criativa, eis que surge em pleno evento o jogador Dirceu vestido de mendigo, completamente caracterizado: calça no meio da canela com vários remendos, camisa parcialmente rasgada também com remendos, chapéu de palha alguns dentes pintados de preto para dar a impressão que não existiam, barba bigode e sobrancelhas marcados com lápis de maquiagem. Nem preciso dizer que foi a sensação da festa Uma verdadeira figura de uma simpatia e simplicidade impressionante nem parecendo um jogador já com uma certa fama. Brincou com todo mundo deu e fez a todos darem muitas risadas.
Ao final da votação a fantasia dele foi eleita a mais criativa.
Muito tempo depois foi para o futebol europeu.
Ao longo da carreira, Dirceu ganhou notoriedade por ser um jogador incansável e aplicado taticamente. Segundo reportagem do Jornal do Brasil de 16 de setembro de 1995, queixava-se de jamais ter sido homenageado em sua cidade natal, Curitiba. Após 17 anos fora do Brasil, resolve voltar e se restabelecer definitivamente no país. Uma semana depois de sua chegada ao Rio, retornando de um futebol noturno com ex-jogadores na Barra da Tijuca, Dirceu e seu amigo italiano Pasquale Sazio teriam sido vítimas da irresponsabilidade de rapazes que faziam um "racha" e acertaram seu carro, um Puma. Ambos faleceram na hora, na madrugada de 15 de setembro de 1995. Dirceu José Guimarães tinha 43 anos de idade e deixou três filhos. Sua mulher estava grávida do quarto menino.
Fotos: Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
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É BOM RECORDAR
— Aqui está a famosa "Guarda Alvi-negra", quando surgiu em janeiro de 1934, fazendo o seu pré-carnaval daquele ano, nos salões de General Severiano. Quanta gente conhecida do Botafogo está nesta fotografia histórica! A "Guarda Alvi-Negra", constituída só de rapazes, era a força total do clube. Essa turma era uma parada. Mas a sua existência durou pouco, não teve continuidade. Agora, depois de 43 anos, vamos relacionar seus componentes, sendo que alguns, infelizmente, já morreram. Quanta saudade isso vai provocar! Eis todos os seus nomes, pela ordem: no primeiro plano, de pé, a partir da esquerda, Althemar Dutra de Castilhos (Teté), Júlio Rego (Julinho), Hélio Veiga, João Dutra de Moura, Carlos de Carvalho Leite, Roberto Gomes Pedrosa, Dr. Carvalho Leite (pai de Carvalho Leite), Eduardo Henrique M. de Oliveira (Edu), Normando Soares (Draga), Armindo Ferreira e Haroldo Castello Branco. No segundo plano, ajoelhados, Euzébio de Queiroz Mattoso (Senador), Felix Schmidt, Nestor Duque Estrada de Barros, Gustavo Henrique R. de Carvalho, Dino Ferreira, Renato Nabuco dos Santos, Jurandyr Nabuco dos Santos (Juju) e Ariel Nogueira. E, no terceiro plano, sentados, Jorge Lemos (Bolinha), Vicente Graça, Roberto Cavalcanti (Esqueleto), Luiz Nobs, Germano Boetcker Sobrinho, Edgard Guimarães do Valle, Walter Guimarães (Waldyr), José Nabuco dos Santos (Cabeça), Hélio Moscoso e Alkindar Dutra de Castilhos. (Foto cedida pelo sócio Cláudio Moscoso Morize, nosso atual Conselheiro, cujo irmão fazia parte da famosa "Guarda Alvi-Negra).
Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 227 de janeiro e março de 1977
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LUIZ MARTINS DA ROCHA (Lulu)
Com o falecimento de Luiz Martins da Rocha desaparece mais um laureado campeão do Botafogo, no passado. O grande Lulú Rocha, desportivo completo, perfeito em tudo. Grande jogador, ótimo amigo, disciplinado e, especialmente, um grande disciplinador. Jogador como Lulu não se adaptaria nunca ao futebol de hoje. Jogava com a maior perfeição com os pés de cabeça e, sobretudo, com a cabeça. Conta a nossa história que ele jogava assombrosamente, tanto na defesa como no ataque, distribuindo de maneira estupenda.
Convém, como um preito a esse nosso ídolo da época, e a essa grande figura humana, que foi Luiz Martins da Rocha, que se relembre, no momento, alguns detalhes de sua vida aqui no clube, para conhecimento das novas gerações a fim, de seu procedimento, no passado, possa servir sempre de exemplo àqueles que participam do convívio botafoguense, em qualquer setor de suas atividades.
Em 1908, Lulú Rocha, que já se impunha como sendo o primeiro "center-half” cidade, operado de apendicite, afastou-se, temporariamente, do time, sendo substituído pelo valoroso Viveiros de Castro. O nosso Lulú, diga-se de passagem, na época era dirigente e ao mesmo tempo jogador. E assim acontecia com vários outros jogadores. Como era diferente e atraente o tempo do amadorismo!
Ele foi o grande "center-half” do clube, campeão de 1910. E depois em 1912. Isso há 67 anos. Lulú Rocha tinha 21 anos de idade.
Conta-nos a história, que cheio de fé e de vigor, o Botafogo preparou-se para entrar, em 1910, o seu ano legendário. O Clube levanta magistralmente o Campeonato Carioca, passando a ser o "Glorioso", pela voz anônima e justa das multidões em delírio. Conta-nos ainda, a história que a, 26 de junho daquele ano de ouro, no campo da Rua Guanabara, realizou-se a sensacional peleja com o Fluminense, assim se apresentando o nosso time: Coggin, Pullen e Dinorah, Rolando, Lulú e Lefevre, Emanuel, Abelardo, Décio, Mimi e Lauro, Jogando magistralmente o Botafogo impôs-se decididamente ao bicampeão, derrotando-o por 3x1 e deixando estarrecida a cidade que não via o tricolor sobrepujado desde 1917. Neste mesmo glorioso ano de 1910, a 15 de agosto, o Botafogo esmagou, em São Paulo, de maneira empolgante o terrível time da A. A. das Palmeiras, que seria o bi-campeão paulista, pela escandalosa contagem de 7 x 2. E aqui, também convém relembrar um episódio impressionante. Os jogadores do Botafogo, como verdadeiros desportistas, fizeram no domingo um esforço tremendo, pois diversos deles, inclusive Lulú Rocha, tendo tomado parte nas regatas, para tomarem o trem das 6 horas, foi necessário apanhar automóveis e, com grande velocidade, chegaram antes da partida do trem e isto fizeram ainda com o uniforme de regatas, pois tinham corrido no último páreo, pelo outro clube, o então Club de Regatas Botafogo. Que coisa estupenda era o jogador antigamente!
No returno do campeonato de 1910, o Botafogo não encontrou adversário, voltando a derrotar o forte time do Fluminense, pela contagem de 6x1. Estava o Botafogo de Lulu Rocha e outros grandes jogadores, sob o delírio de uma multidão verdadeiramente alucinada. Nascia, com esta notável façanha, o "Glorioso". E Lulú Rocha foi sempre uma formidável barreira aos mais terríveis e valorosos adversários. Em 1912, ano cheio de problemas para o clube, repetiu-se a história, o Botafogo foi novamente campeão, agora em outra Liga de Futebol. A assembleia do dia 25 de novembro de 1915 por proposta de Antônio Ferreira Vianna concedeu a Luiz Martins da Rocha a terceira benemerência do Botafogo, coroando os relevantes serviços prestados ao clube, extraordinário como jogador e eficientissimo como diretor de esportes, cuja vida de desportista exemplar foi um de nossos padrões de glória. Já em 1916, ele, cujos afazeres não permitiam treinar mais, jogou também no segundo quadro do clube, para estímulo e exemplo dos novos. Mas, que beleza de caráter! Que todos se mirem nesse procedimento. Em 1919, em sessão de 6 de abril, o Botafogo aceita como sócio, por proposta de Lulú Rocha, um jovem — Carlos Martins da Rocha, (Carlito), seu irmão, que viria a ser, depois, um dos mais extraordinários vultos da história do Clube. Muito ainda tínhamos que escrever sobre os nossos grandes campeões do passado, aproveitamos apenas essa triste ocorrência para falar um pouco do nosso inesquecível e saudoso Lulú Rocha, Emérito e Benemérito do Botafogo, recentemente falecido. A nossa eterna gratidão pelo que fez pelo nosso "Glorioso".
Ao tomar conhecimento do seu falecimento o Botafogo fez hastear o seu pavilhão em funeral, associando-se a todas as homenagens prestadas à saudosa memória de Lulú Rocha, a cujo enterramento compareceram, representando o Clube, o Presidente Charles Borer e vários dirigentes. E a Revista, profundamente sensibilizada, apresenta suas sinceras condolências á familia botafoguense.
Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 230 de agosto e setembro de 1977
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