OS HOMENS DO BOTAFOGO
Os homens do Botafogo
por Paula Ramos
Iniciamos o ano com a biografia desportiva de João Lyra Filho e assim sôbre todos os "Grandes Beneméritos" quase esgotávamos os artigos despretenciosos a que nos propuzemos escrever. Excetuamos nos homens daquela alta categoria os que estavam ocupando cargos de direção no clube, a pedido aliás dêles mesmos por excessiva modéstia solicitavam-nos a exclusão.
Neste mês de março não como evitar, ocupando cargos ou não, teremos que contar o que êles têm sido para o Botafogo, suas virtudes, seus predicados, seus amores pelo Clube de sua eleição, de sua vida, porque é evidente que também êles dedicaram tôda uma existência a serviço do nosso querido Botafogo. Dessa flama, dessa fibra é que nós desejávamos fôssem todos os botafoguense, até os moços ou os que não contam com muitos anos de ingresso em nosso quadro social. Aliás há um fenômeno interessante a registrar. Os verdadeiros botafoguenses, os que se tornam apaixonados e dedicados pelo clube, via de regra, começam a amar o Botafogo desde tenra idade.
É também uma questão de hábito. Lembramos de que há nos nossos arquivos sociais, sócios sem retrato, sim, sócios que possuem meses de idade e como tal dispensadas por enquanto da juntada de fotografias. Se não me engano há 2 meses foi registrado um sócio com apenas 5 dias de existência.
Neste o "vírus botafoguense" vale como vacina anti-clubes extranhos ou co-irmãos. Mal começa a balbuciar, ao bêbe os pais ensinam-lhe não a letra a de início, mas a letra b do Botafogo. Estes eu acredito piamente que nunca serão adeptos ou torcedores de outra associação que não seja o Botafogo.
É o catecismo desportivo que aprendem. É o nome do clube que soletram. É o ambiente em que vivem ou viveram o pai, o irmão mais velho, o tio, que aprenderam a gostar e a amar. Esses serão da classe do abnegados, dos apaixonados, dos verdadeiros botafoguenses. Eu sei de um sócio que no próprio berço do filho colocou em destaque a estrêla solitária que o bêbê olhava embevecido.
Pelo comêço é que se deve aprender a "ver" e a conhecer o BOTAFOGO a fim de amá-lo sempre com tôdas as veras do coração.
Assim ocorreu de um modo geral tom os "Grandes Beneméritos" de que temos traçado suas biografias desportivas, dando a conhecer aos novos, os "Homens do Botafogo".
O de hoje define o perfil de um dos maiores botafoguenses que tenho conhecido. A êle o Botafogo deve quase tudo. Espírito dinâmico, flama sem par fibra e destemor, vocação de dirigente e grande dirigente, como sempre foi, referimo-nos neste mês de março à uma figura extraordinária de botafoguense e de amigo: Paulo Antônio Azeredo. O que deve o Botafogo a Paulo Azeredo? — Tudo. O campo e suas benfeitorias, o Palácio Colonial, construido numa de suas gestões. Para aquilatar o que representa Paulo Azeredo para o Botafogo e para nós, basta dizer que êle foi Presidente em três periodos; note-se que nós não nos referimos a três mandatos e sim a mandatos que completaram 20 anos e 6 meses! Só temos deixado de elegê-lo quando alega seu precário estado de saúde e se excusa de ocupar a presidência do clube, com eficiência, o descortino e a dedicação de sempre. Foram ao todo 10 mandatos de dois anos e 6 meses em socorro de uma crise e com o intuito de apaziguamento, crise que nos seis meses desapareceu.
É um homem extraordinário. Espírito esclarecido, vocação de grande administrador, fino no trato, enérgico quando necessário, voluntarioso na defesa dos interesses do clube, os mandatos presidenciais são pousas de sua administração, cuja vaga está sempre aguardando sua volta à presidência. É uma única vontade que todo o quadro social possue representado por diferentes Conselhos Deliberativos; eleger Paulo Azeredo. Mesmo os que por ignorarem seus inestimáveis serviços e suas profícuas administrações, ou os que se situam no terreno oposicionista por índole ou por teimosia, votem em Paulo Azeredo para Presidente do Botafogo de Futebol e Regatas, vencendo assim qualquer resistência inexpressiva ou inócua. Damos o testemunho de que ninguém ousa combatê-lo. Combatê-lo, por que? Somente os que não forem amigos do clube, excluem de suas preferências ao Grande Botafoguense que êle é que sempre provou ser. E não se pode falar sôbre Paulo Azeredo, esquecendo seu saudoso pai a quem também muito deve o Botafogo, o velho e bondoso senador Antonio Azeredo que tivemos a honra e o prazer de conhecer pessoalmente. Foi êste homem público de reconhecido valor, que a pedido de seu muito querido filho Paulo Azeredo apresentou no legislativo o projeto de doação do terreno onde está construido o "Estádio mais bonito do Brasil", e o "Palácio Colonial", hoje um imenso e excelente patrimônio.
Ainda em uma de suas recentes administrações firmando acôrdo com a então Prefeitura do Distrito Federal quando da desapropriação do "Pavilhão Mourisco" de nossa propriedade conseguiu excelentes compensações que compreendem o Mourisco própriamente dito dotado hoje de linda piscina e quadra de basquete, etc. e o Mourisco-Mar na enseada de Botafogo onde pretendemos construir um grande ginásio, restaurante, garage para barcos, etc. Habil político, congregando em suas mãos as preferências dos grandes botafoguenses que conhecem seu inegável valor, Paulo Azeredo é o patrono do clube por direito de legítima conquista. Seu prestígio é imenso dentro e fora do clube. Seu nome é respeitado nos meios sociais e desportivos pela retidão de seus atos, pela firmeza de suas convicções, pela honestidade sem par que imprime às suas opiniões e sobretudo pela sua têmpera de lutador ao lado de seus dotes de coração generoso e bom. É um Homem na mais lídima expressão do termo. Educado em princípios rígidos de lealdade, honradez e bondade, seus saudosos pais Antonio Azeredo e D. Bernardina Azeredo deixaram a seu filho Paulo uma herança inalienável: urna formação moral e inexcedível quilate a par de dotes de coração de extrema bondade. Paulo Antonio Azeredo é uma glória e tradição do Botafogo. Seu nome está gravado com letras de ouro na história do clube. Seus incontáveis amigos do Botafogo que acompanham em suas sucessivas administrações vencendo sua proverbial modestia inauguraram na sala de sessões do club o seu retrato, que é o único existente na séde e assim constituiu uma justificada exceção.
Descrever o que tem sido seu trabalho no Botafogo em meio o acendrado amor que nutre e vota pelo nosso alvinegro glorioso é tarefa dificílima faltando-nos dados mais minuciosos, elementos da história do clube, pois Paulo Azeredo está tão ligado ao clube como seu Grande Benemérito e seu incomparável Benfeitor que a simbiose Botafogo-Paulo Azeredo é perfeita e por todos reconhecida. Lamentável que Paulo Azeredo por motivos de saúde, hoje felizmente superados não haja aceitado sua reeleição à presidência do clube, mas estamos certos que voltará a dirigir o Botafogo, com a eficiência e devotamento com que sempre norteou suas esplêndidas e fecundas administrações. Esta é a história do Grande Homem do Botafogo desta revista.
Acervo particular: Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Boletim nºs 207 e 208 de fevereiro e março de 1964
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