GENERAL SEVERIANO UMA HISTÓRIA DENTRO DE UMA HISTÓRIA DECADA DE 90

 


A ESTRELA BRILHA
Definitivamente, nesse ano que se inicia, o BOTAFOGO entra numa nova era. Com a Sede reconquistada e uma sólida base financeira, o Clube se encontra revigorado, firme e forte em seu propósito de crescer, superar limites, conquistar espaços, cumprir metas e vencer.
O BOTAFOGO, a partir da reconquista do Palácio Colonial de Venceslau Brãs, em General Severiano, ganhou pujança e recuperou o brilho de sua estrela, tornando-se um clube vibrante e dinâmico.
A modernidade administrativa e o marketing atento às oportunidades de novos negócios, que propiciem fontes alternativas de renda para o Clube, mudaram a imagem do BOTAFOGO, projetando-o como uma das agremiações sócio-desportivas de maior credibilidade do País.
Em 1994, a Administração Montenegro honrou metade de seus compromissos de campanha para o triênio. Através de grandes parcerias, o BOTAFOGO realizou o que aos céticos parecia impossivel: reconquistou a Sede, inaugurou o shopping de descontos Rio Off-Price e o Bingo Copacabana, e voltou a editar a Revista BOTAFOGO, além de comprar o passe do artilheiro Túlio e conquistar inúmeros campeonatos em suas modalidades amadoras. O Futebol profissional conquistou lugar de destaque, sagrando-se a terceira equipe na classificação geral de pontos do Campeonato Brasileiro, sendo a única carioca a disputar as oitavas de final. Jã os Juniores do BOTAFOGO conquistaram o Vice-Campeonato Estadual, revelando uma série de craques.
Nesse momento em que iniciamos mais uma jornada, temos a satisfação de informar aos nossos diletos sócios e torcedores que o balanço de 1994 é extremamente positivo. O cronograma de obras está correndo normalmente e, em
1995, o BOTAFOGO priorizará a conclusão do Centro de Treinamento- Mané Garrincha, em Marechal Hermes; inaugurará o parque social e desportivo de General Severiano e dará início as obras da marina e a recuperação do Parque Aquático do Mourisco-mar, além de restaurar a Sede Náutica, no Sacopã. Mais que promessas, estes são proietos bem fundamentados e em andamento. Para tanto, o BOTAFOGO conta co, o afinco e dedicação de uma equipe jovem e unida, um pessoal que arregaça as mangas e trabalha incessantemente para propiciar beneficios ao Clube.
Destacamos ainda, em 1994, os 52 anos da Fusão que deu origem ao BOTAFOGO de Futebol e Regatas, a passagem dos 100 anos de fundação do Club de Regatas BOTAFOGO e os 90 anos de criação do Botafogo Football Club. Ou melhor, neste ano, celebramos um século de história e a feliz união de dois clubes guiados pela mística botafoguense representada pela Estrela Solitária que a todos nós conduz com seu brilho, cada vez mais intenso e abrangente.

Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Revista Oficial do Botafogo no 246 de jan/fev/mar de 1995
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Botafogo vence mais uma 

VINÍCIUS AZEVEDO 

A aprovação da Mensagem do Prefeito Marcello Alencar pela Câmara de Vereadores, ontem à noite, foi uma verdadeira batalha, a se somar a tantas outras que o Botafogo enfrentou ao longo de sua história. Em uma votação que só terminou às 23 horas, depois de uma discussão de sete horas, os vereadores aprovaram em primeira instância, por unanimidade, a proposta do prefeito, que permitirá ao Botafogo recuperar a sede da Rua General Severiano. Votaram pela aprovação trinta vereadores. Alguns, contrários à proposta, preferiram sair do Plenário para não votarem contra, como Maurício Azedo, do PDT e Eliomar Coelho, do PT: A decisão foi muito demorada. Foram necessárias duas Sessões Extraordinárias, o que garantiu aos vereadores o pagamento de um adicional a cada um de Cr$ 140.000,00 (Cr$ 70.000,00 por sessão).
Desde cedo era grande movimento para que a mensagem do prefeito fosse logo votada e aprovada. Por isso entraria logo na votação de ontem. O resultado foi positivo, com 25 votos a favor, sete contra e uma abstenção. Com a aprovação em primeira instância, a Mensagem voltará ao Plenário para ser novamente votada, possivelmente na próxima terça-feira, quando será ou não ratificada a decisão de ontem. Na oportunidade, os vereadores poderão, inclusive, apresentar emendas ao projeto. A torcida botafoguense ficou na bronca com o vereador Maurício Azedo, do PDT, que tentou ao máximo adiar a votação, o que acabou por irritar o ator Stepan Nercessian, que bateu boca com o político. Já o vereador Jorge Pereira acusou Azedo de flamenguista doente. Ao final da votação a torcida botafoguense, que lotou as dependências da Câmara, saiu festejando a conquista como se fosse o tricampeonato tão sonhado.

Lobby reforça o movimento 

Uma verdadeira legião de botafoguenses formou um grande lobby para trabalhar do lado de fora do plenário da Câmara, para tentar convencer os vereadores a votar a favor da mensagem do Prefeito Marcello Alencar. Entre as presenças marcantes, registraram-se os atores Stepan Nercessian e Rosamaria Murtinho, o diretor do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, e o deputado estadual e filho do prefeito Marcelo Alencar, Marco Antônio Alencar. A torcida do Botafogo, favorável a aprovação da mensagem, ainda teve o reforço de dirigentes do clube, liderados pelo presidente Emil Pinheiro, e do vereador Jorge Pereira, do Passart. Em meio a todas essas presenças, não poderiam faltar as chamadas conversas ao "pé da orelha", em tons reservados. Os famosos abraços e "tapinhas" nas costas -foram constantes. O filho do prefeito Marcello 
Alencar foi um dos que chegaram mais cedo. Como bom botafoguense , participou do lobby, nas conversas reservadas. O ator Stepan Nercessian, ligado à política, e filiado ao PC do B, aproveitou para brincar e tentar sensibilizar os parlamentares, enquanto Rosamaria Murtinho caminhava de um lado para outro, demonstrando grande nervosismo. Por volta das 17 horas, chegou o ex-apresentador do programa infantil Cometa Alegria, da 'TV Manchete, Patrick de Oliveira, de apenas 10 anos. Ele chegou confiante, vestido-de preto e branco. "Vou sair comemorando", previu, com a confiança de Emil Pinheiro e que faltava ao presidente do Conselho Deliberativo do Botafogo, Jorge Aurélio Rodriguez. Antes da votação, Eliomar Coelho (PT) e Mário Dias (PDT) foram os únicos a se manifestarem contra aprovação da mensagem de Marcello Alencar.
Torcida chega cedo e em paz
A torcida do Botafogo chegou bem cedo à Câmara dos Vereadores, ocupando as galerias. Também estendeu uma bandeira de aproximadamente 15 metros de cumprimento do lado de fora, onde ainda foi instalado um serviço de som para se ouvir as decisões do plenário. A segurança não teve problema com incidentes até a hora em que a mensagem começou a ser votada. O clima foi de muito nervosismo, mas também de grande calma e até mesmo de confraternização. Carlos Alberto Torres, o capitão do tri no México-70 e atualmente vereador do PRN, foi um dos vereadores que se manifestaram favorável à volta do Botafogo a General Severiano, local, inclusive, em que ele confirmou já ter atuado. — Além de tudo eu sou um desportista e como tal não poderia em absoluto votar contra a volta do Botafogo para General Severiano. Acho que se trata de uma proposta justa — definiu Torres.
Alma dá 3 razões contra o projeto 
Enquanto os botafoguenses faziam seu lobby pela aprovação da mensagem, a Alma (Associação dos Moradores da Rua Lauro Müller, em Botafogo) realizava uma movimentação exatamente contrária. Eles trabalhavam contra a aprovação. Isto, alegando três motivos. O primeiro, considerando que a abertura do Shopping Center, das lojas, teatro e cinema na Rua General Severiano congestionará ainda mais o trânsito na área. Em segundo lugar, apontaram a dificuldade de acesso ao Hospital Rocha Maia, e, por fim, previram a formação de uma grande especulação imobiliária. Mas alguns vereadores acharam as alegações descabidas, como no caso de Jorge Pereira. "Ao contrário, vai gerar empregos, inclusive para a área de construção civil", defendeu.

Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Jornal do Sports de 29 de novembro de 1991
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PARABÉNS BOTAFOGO
Imaginem o Rio de Janeiro em 1894, na virada da República, na efervescência das paixões politicas e das mudanças. Nesse ano, surgiu no Rio de Janeiro, na enseada de Botafogo, um clube que tinha a Estrela Solitária como guia de seus grandes feitos - o Club de Regatas Botafogo.
Em 1904, estudantes do Ginásio Alfredo Gomes, com média de idade de 14 anos, resoiveram fundar o Clube do novofempo que se iniciava - o Botafogo Football Club. Dai para a frente foi só crescimento e o Clube se ñxou no Bairro do mesmo nome, com seu campo em General Severiano a partir de 1912, enriquecendo a vida esportiva do Rio de Janeiro e dando à juventude oportunidades valiosas à pratica dos desportos e à convivência sadia em seu quadro social.
Em 1942, a 8 de dezembro, os dois alvinegros, com o mesmo nome e com a vocaçao da vitória realizaram a Fusao e surgiu esse gigante chamado BOTAFOGO DE FUTEBOL E REGATAS.
Falar em BOTAFOGO é falarem paixão pelo futebol, o esporte que conquistou milhões no Brasil inteiro e que projetou o Glorioso até no cenário mundial, principalmente por ter sido ele o maior provedor de craques para a conquista do Trlcampeonato Mundial pelo Brasii.
Escusado dizer aqui o nome dos astros que brilharam nos campos, nas quadras, nas piscinas e nas raias. A maioria se lembra deles com amor e saudade.
Eis que, após a tempestade, ressurge o BOTAFOGO, revigorado, iluminado, pelos seus leais colaboradores e torcedores; e, como o filho pródigo volta o Sede, preparado às novas conquistas, às bem-aventuranças do novo ciclo de vida.
O Bota de hoje não é só fogo, mas Alma renovadora da vida esportiva e social . A nova Diretoria nâo mede esforços para eleva-lo à posiçao de destaque no cenario nacional, com a construçao, em sua sede, de áreas de lazer, quadras, piscinas, concentração e, para não fugir à tradição do local, um campo de futebol para treinamento.
Com ele o Brasil vibra, a torcida cresce e se entusiasma. A Diretoria traça rumos positivos, renovadores, o Clube se expande, e, com o apoio de todos, revigora o  seu centro sócio-cultural. A volta de sua Revista nos dará  também o privilégio de conhecê-lo melhor, no seu passado e no seu presente.
Boa sorte ao nosso querido BOTAFOGO, e parabéns a todos os seus leais torcedores.

Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Revista Oficial do Botafogo no 245 de 1994
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Evento social sede General Severiano data indefinida
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LUIZ OCTAVIO BAPTISTA VIEIRA
Reportagem: Luiz Fernando Medeiros
Texto: Marco Evandro e Fotos: Celso Pereira


Casado, pai duas vezes, 40 anos, Luiz Octávio Baptista é o Vice-Presidente Administrativo do Botafogo de Futebol e Regatas, sendo um dos artífices da grande virada do BOTAFOGO, no primeiro ano da Administração do Presidente Carlos Augusto Montenegro.

Luiz Octávio recebeu a REVISTA BOTAFOGO no Palácio Colonial de General Severiano e falou sobre planos, objetivos e metas, bem como sobre a forma de administração do Clube.

O Vice-Presidente destaca ainda nessa entrevista a filosofia de trabalho vencedora, que fez do BOTAFOGO o Clube que eleva o nível de prestígio das instituições desportivas do Rio de Janeiro.

O domínio de conceitos fundamentais, notadamente no âmbito da administração, tem proporcionado ao BOTAFOGO a composição de uma estrutura enxuta, com metas e objetivos delineados para fortalecer o Clube de tal forma que a sua filosofia não mudará, independentemente de quem esteja no seu comando.

REVISTA BOTAFOGO: Segundo o Presidente do BOTAFOGO, Carlos Augusto Montenegro, toda a estrutura do Clube será impessoal, ou seja, terá caráter mais empresarial do que personalista. Como esta filosofia está sendo implantada na sua área? 
LUIZ OCTAVIO: No BOTAFOGO nós empreendemos um caráter impessoal à administração de cada dirigente, para termos, enquanto Clube, uma identidade própria e única.
Todos os departamentos - Remo, Social, Terrestres e Aquático - não têm como característica principal o titular do setor. Assim se, por qualquer motivo, houver a necessidade de uma substituição, não haverá ruptura na continuidade da administração da máquina, pois ela já está montada. Era uma meta para ser alcançada em seis meses, mas foram precisos nove meses para que conseguíssemos implanta-ia.

REVISTA DO BOTAFOGO: Quais foram os principais obstáculos?
LUlZ OCTAVIO: Na própria estrutura do clube. Pegamos um passivo muito grande. Então, as receitas dos diversos departamentos eram canalizadas para apagar incêndios.
Hoje, o regime do BOTAFOGO é de caixa única com um bloqueio de determinada verba para as despesas com os serviços essenciais de cada departamento. Mas, no começo, isso não foi possível ser feito por causa de penhoras, títulos protestados e ações na Justiça. Então havia a necessidade deste bloqueio para que pudéssemos apagar urgentemente aquele incêndio.

REVISTA DO BOTAFOGO: E qual é a situação atual do clube?

Luiz Octavio: Nós já renegociamos cerca de 90% das ações que tínhamos na justiça e não há mais penhora no Botafogo. Gostaria de frizar que esses processos são oriundos das administrações anteriores e antigas.

REVISTA DO BOTAFOGO: O BOTAFOGO está saindo de um esquema tradicionalista para entrar na era das grandes empresas...
Luiz Octavio: Exatamente. Uma das maiores vantagens deste tipo de pensamento está na terceirização de toda parte administrativa do Clube.
Temos uma estrutura mínima, enxuta e coesa, para os serviços essenciais e estratégicos do BOTAFOGO. O restante, contabilidade, emissão de carnê, movimentação de contas, fica por conta de outras empresas contratadas e especializadas em cada ramo de atividade.
"Empreendemos um caráter impessoal à administração de cada dirigente para
termos, enquanto Clube, um identidade própria, única."

REVISTA DO BOTAFOGO: Um dos conceitos mais modernos em termos administrativos é o de reengenharia, ou seja, a renovação interna de uma empresa para adaptação às novas realidades tecnológicas, de marketing e de comunicação. O BOTAFOGO está trabalhando nesse sentido?

Luiz Octavio: Sim. Estamos implantado esse sistema definitivamente no BOTAFOGO. A adoção desse sistema redimensiona a estrutura interna do Clube para que obtenhamos uma melhor adaptação 15 novas determinações do mercado, isto projeta o BOTAFOGO para uma etapa de superioridade em termos financeiro-administrativo. Acreditamos que alcançaremos o patamar dos melhores e maiores clubes do mundo.

REVISTA DO BOTAFOGO: Qual a estratégia para canalizar recursos para o Clube?

Luiz Octavio: Hoje em dia, no futebol do Brasil e particularmente no carioca, o clube que planejar viver em função de arrecadação de jogos vai a falência. As rendas têm se mostrado um fracasso total, e houve um certo desinteresse por parte do público, não só pelo baixo nível de alguns espetáculos mas também pela insegurança e violência nos estádios. A conclusão é lógica: nenhum clube
sobreviverá com um planejamento contando prioritariamente com arrecadação de jogos. O BOTAFOGO está procurando fontes de rendas alternativas para manter o lastro. O Shopping Rio Off-Price, o Bingo Copacabana, a publicidade da Coca-Cola e as cotas de televisionamento são fontes de recursos que proporcionarão ao Clube uma boa estabilidade. Isso independe de se ter chuva ou sol no Maracanã.

REVISTA BOTAFOGO: E o quadro social também tem peso financeiro?
Luiz Octavio: É evidente. Mas o BOTAFOGO teve que equacionar também essa receita social. Alguns sócios se queixaram porque nós reajustamos o valor da taxa de manutenção, em virtude de termos absorvido mais uma sede (General Severiano), que tem uma manutenção cara. Além disto, estamos preparando a sede do Mourisco-Mar para receber os sócios, enquanto o parque esportivo não estiver aqui. Quer dizer, no parque aquático, os sócios não vão ter só a piscina para Natação, vamos ter quadras polivalentes, sauna, bar (este em licitação), para que os sócios tenham retorno também, isso gera um investimento,  demanda recursos. A manutenção do BOTAFOGO estava na faixa de R$ 5,50. Só a taxa bancária e expedição de correspondência absorvia quase 50% desse valor. Então a partir de outubro reajustamos este valor. Hoje o sócio do BOTAFOGO paga R$ 15,00. Não é um valor alto, mas o BOTAFOGO já está oferecendo mais. Antes, não se podia aumentar a mensalidade porque o Clube pouco oferecia. Hoje, o aumento de patrimônio do BOTAFOGO é uma realidade. O Mourisco-Mar está pronto para receber o associado e sua família, para passar o dia. Está se transformando num clube realmente.
Em General Severiano pretendemos preparar o espaço para as atividades sociais voltadas para os sócios e também para os não-sócios (que estejam dentro de um poder aquisitivo compatível com o status do Clube), ainda que este pague um pouco mais do que o sócio. Por exemplo, a sauna vai ter dois preços: um para sócio e outro para não-sócio. Assim o sócio não se sentirá Iudibriado no que paga. Pelo contrário, verá que pode economizar sendo sócio. Nas escolinhas, por exemplo, os sócios pagam menos. É a vantagem de ser sócio.

REVISTA BOTAFOGO - Como estão os grandes contratos do Clube?
Luiz Octavio - Essa é uma questão que está sendo conduzida diretamente pelo Presidente, até  porque ele tem muito mais acesso a essa empresas. Sei que ele tem contactado várias companhias, sei que existe muitas possibilidades, mas nada de concreto por enquanto. O Presidente é muito bem relacionado, é uma pessoa que vive fora do Futebol, um empresário que se projetou antes do BOTAFOGO. Eu falo isto porque, infelizmente, os dirigentes do futebol no Brasil não são tidos exatamente como exemplos de boa conduta, com raríssimas exceções.
Então, quando você chega para negociar qualquer coisa em termos de clube de futebol, você sempre é olhado com certa desconfiança. E o Presidente Montenegro veio representar para o futebol brasileiro, justamente o contrário. É uma pessoa que não precisa do futebol, um empresário bem sucedido, que veio pra cá e resgatou a credibilidade do dirigente, agregando-lhe valor moral.
Ele talvez seja o dirigente de Clube mais respeitado do Brasil. Inclusive, a posição de vanguarda que ele tem assumido pela moralização das arbitragens no Rio de Janeiro e no Brasil, foi recebida com respeito pelo Presidente da CBF e pelo Presidente da Federação Carioca. Eles entenderam que a gente está querendo ajudar o Esporte e não prejudicar ou beneficiar alguém.
A formação empresarial do Montenegro vem ajudar, porque ele é uma pessoa tarimbada que dirigiu empresas e tem uma visão mercadológica macro. Antigamente, tínhamos dirigentes que só viam o problema internamente. O Montenegro vê o problema do BOTAFOGO no todo, no aspecto social, político, esportivo, nacional e até internacional. Ele tem uma mentalidade nova e uma atitude muito mais dinâmica. Tem uma visão empresarial mesmo, ele encara o BOTAFOGO como uma empresa. Antigamente, havia os adeptos do Remo, da Natação, do Basquete e os só do Futebol. Hoje em dia, encaramos o BOTAFOGO como um todo. Essa equipe de dirigentes que está com o Montenegro tem essa mesma idéia.

REVISTA BOTAFOGO - O senhor considera que a Administração Montenegro pode vir a revolucionar, em termos de diretoria, o futebol no Rio de Janeiro?
Luiz Octavio - Sem dúvida. Administrativamente, o BOTAFOGO, já colocou em prática as idéias do Presidente Montenegro, principalmente em termos de credibilidade dos dirigentes. Tecnicamente, o processo é um pouco mais longo, porque o que se está implantando no futebol do BOTAFOGO é uma equipe altamente competitiva, para os níveis carioca e nacional, mas sem esquecer jamais o trabalho de base que está sendo feito. Além disto, estamos empenhados a fundo para concluir o Centro de Treinamento de Marechal Hermes, que é o futuro de nosso futebol. Hoje os clubes têm que fazer seus jogadores; comprar um jogador hoje é quase impossível. O trabalho deve ser feito todo em casa.

REVISTA BOTAFOGO - Hoje o BOTAFOGO já conta com um patrimônio expressivo que é este Palácio. Quando toda a estrutura estiver pronta, como vai ser o seu funcionamento?
Luís Octavio - A semente está lançada. Estamos lançando uma série de 6 mil títulos de sócio-proprietário do BOTAFOGO. Os recursos serão investidos para, além de reforçar o futebol, ajudar neste trabalho de base e aprontar o Centro de Treinamento, e também na manutenção deste parque esportivo. Com estes próximos 6 mil sócios que o BOTAFOGO pretende arregimentar nos próximos 12 meses, vamos fazer um trabalho excelente também na área de atividades sociais. Nós vamos ter três piscinas no parque social, mais uma para competição no Mourisco-Mar. Então, nós teremos um Clube de Futebol e um primoroso parque esportivo. Vamos ter quatro quadras polivalentes para as escolinhas do esporte amador. Teremos ainda o ginásio mais moderno do Rio de Janeiro, destinado não só a competições esportivas mas a shows, eventos e outras atividades que gerem recursos para o Clube. 

REVISTA BOTAFOGO - Sobre o Shopping Rio Off-Price, qual é o relacionamento do BOTAFOGO com este empreendimento? 
Luís Octavio - o BOTAFOGO vai ter uma participação sobre a receita; uma participação progressiva. O Rio Off-Price esta num ponto estratégico e trará uma receita fixa todo mês para o clube; vai ter a praça de alimentação, lojas de grifes famosas e isto tudo vai trazer um movimento muito grande. Em termos de receita , ainda teremos o bingo, que começou a operar em dezembro no Hotel Excelsior, em Copacabana. Estes dois empreendimentos devem gerar uma receita de aproximadamente R$ 150 mil, o que garantirá o pagamento de todas as despesas do Clube em cada mês, contando a folha de pagamentos, impostos, concessionários, imposto de renda, INSS, etc.

REVISTA BOTAFOGO - Como será o BOTAFOGO na próxima década?

Luís Octavio - Eu nem vejo a tão longo prazo. Imagino que, no final do segundo mandato do Presidente Montenegro, vamos estar com o BOTAFOGO sendo o maior Clube do Brasil, em termos de estrutura, arrecadação, perspectivas e celeiros de jogadores. Eu acho que seis anos é o tempo suficiente para tornar o
BOTAFOGO impessoal, o que é a meta número um do Presidente. Na época do Juscelino a proposta era crescer 50 anos em cinco aqui, a nossa proposta é crescermos 60 anos em seis. Vamos deixar uma estrutura montada para que o pessoal que receba o BOTAFOGO pegue uma máquina funcionando bem e só tenha o trabalho de tocá-la. O Clube já estará caminhando com as próprias pernas.

REVISTA BOTAFOGO - Por isto, você acha que o título do BOTAFOGO é um excelente investimento neste momento?

Luiz Octavio - Sem dúvida. Hoje, com o final da ciranda financeira, o maior investimento hoje é um titulo de sócio do BOTAFOGO. É um titulo que vai valorizar. O número de títulos é limitado. Não nos interessa colocar 50 mil títulos na praça. Nós estamos lançando uma campanha para 6 mil sócios e temos ainda reserva técnica para mais 4 mil sócios, para atingirmos até 10 mil novos sócios, o que, somado aos 8 mil sócios atuais, completará um universo de 18 mil sócios - Não nos interessa ter um número de sócios acima deste, porque temos o compromisso com a qualidade dos serviços e com o conforto dos associados do Clube. 

REVISTA BOTAFOGO - O senhor gostaria de acrescentar algumas palavras a nossa entrevista?

Luiz Octavio - Sim. Quero fazer um convite aos sócios e atletas, para que visitem a Sede do BOTAFOGO e as instalações do parque esportivo, e vejam com os próprios olhos o trabalho que a gente está fazendo. Outra coisa: é importante manter as taxas de manutenção em dia, porque o titulo é um excelente investimento pessoal, e a sua contribuição é fundamental para o sucesso do nosso Clube.


Obrigado.

Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Revista Oficial do BFR nº 246 de jan fev mar de 1995
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Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Revista Oficial do BFR nº 248 de 1995
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A VOLTA À TERRA PROMETIDA 
POR ANA LÚCIA RANGEL E EDILSON CAMPOS. 
FOTO: CELSO PEREIRA 

      VISTA PARCIAL DO COMPLEXO , COM A SEDE AO FUNDO

Reis e súditos; craques e torcida; ídolos e fãs. Eles estavam todos lá e, juntos, formavam uma multidão de 15 mil pessoas. Mas eram uma só voz, um só coração, uma única estrela, solitária e gloriosa, que desceu do céu e pousou para sempre no Estádio de General Severiano. Foi assim que o dia 8 de dezembro de 1995 entrou definitivamente para a história do BOTAFOGO DE FUTEBOL E REGATAS. Mais do que uma vitória, muito mais do que um título, botafoguenses de todos os cantos do País comemoraram a maior conquista alvinegra dos últimos tempos: a volta à terra prometida, que agora, além do Palácio Colonial de Vencesláu Braz, abriga o Complexo Sócio-Esportivo Paulo Azeredo e o Estádio Nilton Santos. A volta para casa significa o fim do exílio, de uma luta que durou quase 20 anos, o resgate de um pedaço da história do Clube e da cidade do Rio de Janeiro, o reencontro com a pátria alvinegra. E, ainda por cima, com a cumplicidade do Cristo Redentor, que resolveu parar bem em frente ao estádio botafoguense, com seus braços eternamente abertos para os craques do passado e do presente, abençoando a memória e o futuro alvinegros. Tudo isso, em pleno dia de Nossa Senhora da Conceição, padroeira do Clube, que num complô com o Redentor, colocou lado a lado, dentro do campo, Heleno de Freitas e Jairzinho, João Saldanha e Carvalho Leite, Sandro Moreyra e Quarentinha, Carlito Rocha e Beth Carvalho, Neném Prancha e Regis Cardoso, Dirceu e Didi, Garrincha e Nilton Santos. Além é claro de João, Maria, José, Paulo, etc, etc, etc. A Zona Sul parou. Bandeiras, camisas, faixas, balões de gás em preto e branco, gritos, lágrimas, sorrisos. Desde de cedo, torcedores - anônimos ou em caravanas - misturavam-se a artistas, parlamentares, empresários, autoridades, diretores e conselheiros. Elevado a categoria de ídolo pela torcida, o Presidente Montenegro foi cercado na entrada do Palácio Colonial de Vencesláu Braz, por grupos de alvinegros que gritavam: “É CAMPEAO “

A festa começou às 11 horas, quando Montenegro, acompanhado do Governador em exercício, Luiz Paulo Correia da Rocha, e ele Dom José Carlos de Lima e Vaz - “Botafoguense desde criancinha” cortou a fita inaugural do Complexo Sócio-esportivo; e terminou às 22h30, quando mais de mil pessoas cantaram o Hino do Brasil, após uma Sessão Solene do Conselho Deliberativo, que agraciou vários botafoguenses ilustres com a entrega de Diplomas de Sócios Honorários, Grandes-Beneméritos, Beneméritos e Eméritos.
Depois que o Complexo foi oficialmente inaugurado, a Sede foi tomada por torcedores e sócios, que passaram o dia emocionados com os autógrafos e fotos tiradas com seus ídolos; sambando ao som da bateria da escola de samba Unidos de São Clemente, com suas baianas que deram um show no gramado; bebendo cerveja no bar da piscina e nas mesas nas varandas.
O casal Montenegro e o Vice-Governador inauguram o Complexo

Mas a maior estrela do espetáculo foi o estádio Nilton Santos. Depois de hasteadas as bandeiras do BOTAFOGO, do Rio de Janeiro e do Brasil, com os respectivos hinos executados pela banda da Polícia Militar e cantados pelo músico botafoguense Márcio Montserrat, Dom José Carlos Vaz abençoou o estádio. A seguir, houve desfile das delegações de esportes amadores - vôlei, basquete, atletismo, pólo- aquático e natação.
Quando Nílton Santos e Beth Carvalho desfilaram juntos no meio do campo, que tem o desenho da Estrela Solitária, a galera foi ao delírio. O “Enciclopédia do Futebol” foi ovacionado pela multidão que, uniformizada e portanto bandeiras alvinegras e faixas de delegações de vários estados, lotava as arquibancadas e o campo. Logo depois, a surpresa maior: os jogadores, que naquele momento desembarcavam vitoriosos do jogo em Belo Horizonte, contra o Cruzeiro, estavam chegando ao Estádio. A esta altura, a imensa legião de botafoguenses formava um único país: gente de todas as classes, cores e credos, todos unidos por uma mesma paixão, cantavam, a uma só voz: ”Campeão desde 1907”.
     A estrela Gloriosa voltou a brilhar na grama de Gal. Severiano

Como tudo era possível num dia como aquele, o Presidente Montenegro sevestiu de Túlio Maravilha e tentou uns passes – durante os dez minutos que sua barriguinha permitiu. Ao lado de Afonsinho, Carbono, Gil, Quarentinha e Nilton Santos, numa pelada entre veteranos e jornalistas. Embora tenha mostrado que como jogador é excelente dirigente, a atuação do Presidente agradou a torcida, que gritava: “ O Montenegro é artilheiro do Brasil”.
O acesso das personalidades VlPs foi feito através de um arco formado por balões de gás pretos e brancos. Atrás do gol a direita foi formada uma imensa bandeira do BOTAFOGO, também de balões alvinegros. A festa teve a animação da banda de música da Polícia Militar.
O campo foi formalmente inaugurado com discurso do Presidente Carlos Augusto Montenegro, segu ido do discurso do Presidente do Conselho Deliberativo, Jorge Aurélio Domingues.
O Campo de General Severiano, o Estádio Nílton Santos, foi construido com o que há de mais moderno, a começar pela grama, do tipo esmeralda. Por ser o único construído sobre uma laje (o Shopping Rio Off-Price funciona embaixo), o Estádio Nilton santos demandou cuidados especiais, como um sistema de drenagem especial e um tratamento de impermeabilização super-reforçado. O campo de futebol foi construído pela especializada Green Leaf, a mesma empresa que faz a manutenção do Maracanã e dos melhores campos de futebol do Brasil.
      A garotada aproveita o 1º banho de piscina no novo complexo

Para atender aos associados, uma pequena arquibancada servirá para aqueles que quiserem ver de perto seus ídolos, como acontecia até metade da década de 70. Para os mais experientes, vale a lembrança de títulos memoráveis, como o de 48, conquistado na vitória de 3 a 1 sobre o Vasco, cuja equipe era tão forte que merecia o apelido de “Expresso da Vitória”. Tempos do saudoso Presidente Carlito Rocha e elo cachorro Biriba. Época em que a superstição passou a ser ponto de referência deste clube mais do que qualquer outro Glorioso.

       A cadelinha Tulia dribla o bi campeão mundial Nilton Santos

NOVA CONCENTRAÇÃO
O BOTAFOGO não gastou nenhum centavo e ainda vai economizar pelo menos R$ 60 mil mensais. Toda a obra do novo Complexo é por conta do consórcio que administra o Rio Off-Price, construído sob o Clube.
- Vamos economizar pelo menos R$ 15 mil semanais de hotéis - ressalta o Vice-Presidente do Patrimônio, Rogério Carneiro.
O prédio de apoio será metade para os sócios e a outra metade para o futebol profissional do BOTAFOGO. Os associados poderão usufruir de sauna (seca e a vapor), duchas modernas, Departamento Médico e um solar, onde o botafoguense poderá tomar uísque, se bronzear e, se desejar, até assistir aos treinamentos do time profissional. Este é um velho sonho dos alvinegros. 
O Departamento de Futebol Profissional será transferido do Caio Martins, em Niterói, para General Seve iano.
No prédio do novo Departamento de Futebol Profissional ficará a concentração com 12 quartos duplos (cada qual com nome de um jogador de destaque da história do Clube, de acordo com votação popular, somente de botafoguenses), salão de jogos, sala para televisão e exibição de vídeos e refeitório. No mesmo local foi instalado o Departamento Médico, sala de fisiologia (para recuperação de lesões e fisiologia do esforço), rouparia e lavanderia. No local ainda foi instalada a Sala de Imprensa João Saldanha, com balcão para locutores de rádio, computadores e fax.
- Será a mais moderna sala de imprensa dos Clubes Cariocas - afirma Rogério Carneiro.
Osvaldo Baliza, Moreira, Zé Maria , Leônidas e Nílton Santos, Pampolini, Gérson e Didi, Maurício, Jairzinho e Paulo César Lima. Quem sabe, Wendell, Joel Martins, Zé Carlos, Mauro Galvão e Rildo, Carlos Roberto, Nei Conceição e Mendonça; Rogério, Carvalho Leite e Ferreti. Talvez, Cao, Mura, Chiquinho, Wilson Gottardo e Marquinhos; Tomé, Afonsinho e Parada; Zequinha, Amoroso e Zagalo. Se preferirem, Manga, Paulistinha, Cacá, Dimas e Marinho Chagas; Ayrton Povil, Hélton e Humberto Redes; Neivaldo, Otávio e Paraguaio. As opções são múltiplas e sugerem um verdadeiro quebra-cabeças no túnel do tempo da gloriosa história do BOTAFOGO. Estes e dezenas de outros ex-craques participaram da reinauguração do campo de General Severiano, o Estádio Nílton Santos, o único do mundo totalmente construído sob um Shopping.
Desde que a Diretoria do BOTAFOGO anunciou a intenção de reunir ex-jogadores do Clube no jogo de reinauguração de General Severiano, os telefones da Sede não pararam de tocar. Foram dezenas de telefonemas diários, dos mais variados pontos do Brasil e até do exterior. Dos Estados Unidos, por exemplo, vieram o lateral-esquerdo Rildo, titular da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 66, realizada na Inglaterra, e Marinho Chagas, o lateral que brilhou nos anos 70, período em que disputou a Copa do Mundo de 74, na Alemanha. O atacante Paulinho Criciuma, que até o ano passado jogou no Los Angeles Salsa, da Califórnia, veio de sua terra natal. Do Japão, Carlos Santos e Carlos Alberto Dias... Para treina-los, entre outros, Aymoré Moreira (Técnico da Seleção Brasileira Bicampeã Mundial em 62, no Chile), Zezé Moreira (técnico da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 54, na Suiça) e Valdir Espinosa (o técnico que levou o BOTAFOGO ao título estadual em 89). Mas a lista de ex-jogadores não se limitou a estes citados. Foi extensa. Teve Quarentinha (o maior artilheiro da história do BOTAFOGO), Roberto Miranda, Wendell, Sucupira... Por isso, o entra-e-sai neste jogo foi grande. Mas o que mais valeu foi homenagear aqueles que fizeram do BOTAFOGO um glorioso. A começar por Carvalho Leite, de 85 anos. O único tetracampeão estadual da década de 30 (32/33/34/ 35) vivo que fez questão de jogar pelo menos um minuto. Por amor ao Alvinegro. Foi um jogo treino imperdível para todos aqueles que gostam de bom futebol. E uma oportunidade de ouro para os que amam o BOTAFOGO DE FUTEBOL E REGATAS. Antes, houve uma partida entre artistas e jornalistas botafoguenses. No último dia 8 de dezembro, o público, em geral, pôde ver a concretização de um sonho de todos os que amam o BOTAFOGO: a inauguração do Complexo Sócio Esportivo de General Severiano, com pompa e circunstância, como convinha naquela ocasião tão especial.
O Complexo é composto por quatro quadras polivalentes (duas descobertas), três piscinas (uma delas semi-olimpica), sauna (seca e a vapor), salão de jogos, solar, academia (para ginástica aeróbica e tradicional), mais concorrido campo de General Severiano, que foi batizado com nome de um dos mais notáveis jogadores do clube: Nílton Santos.
As obras, em ritmo acelerado, contaram com 250 operários se revezando em dois turnos, das 7 às 22 horas. Tudo por conta da Construtora Pinto de Almeida, que se comprometeu e conseguiu entregar toda a obra, à exceção do ginásio, no dia em que o BOTAFOGO DE FUTEBOL E REGATAS comemorava os 53 anos da Fusão entre C.R. BOTAFOGO e BOTAFOGO F.C.

NELSON LUIZ RAMOS 
O VERDADEIRO PAI DA CRIANÇA
Nelson Ramos foi o autor do partido arquitetônico, ou seja, foi ele quem concebeu a idéia de fazer um Complexo Sócio-Esportivo sobre lojas.
Na ocasião em que o Conselho Deliberativo votou o projeto ideal para o Complexo Sócio-Esportivo de General Severiano, havia duas correntes de opinião: Uma favorável a instalação do Campo Oficial; outra queria um campo society e mais área para outras atividades de lazer.
Um dos projetos era o de Nelson, que conselheiro, absteu-se de votar, para ficar em igualdade de condições com seus colegas arquitetos. O projeto de Nelson ganhou por uma margem de apenas dois votos, com um placar de 62 a 60.
Essa estreita diferença, motivou Nelson a adaptar o seu projeto. Mantendo a disposição dos módulos planejados, o arquiteto diminui o ginásio (originalmente no formato de uma calota esférica, passou à forma retangular) e aumentou o campo ( para 96 m X 60 m), dimensões ideais para treinamentos técnicos e táticos. Outras mudanças vieram, para adaptar o projeto às condições de sua viabilidade financeira e de instalações. Nelson é sócio do BOTAFOGO desde 1948 e também é autor do projeto da Sede Náutica de Sacopã.

DECLARAÇÕES
"A reinauguração da Sede de General Severiano simboliza a renovação do BOTAFOGO. É o BOTAFOGO se antecipando ao próximo milênio. Estou particularmente feliz porque tanto o SEVEN-UP como o BOTAFOGO são líderes. É uma parceria de campeões. Espero que ela nunca acabe".
GIANNI PIERRACIONI, Presidente da PEPSI 
"Os Alvinegros estão realizando um sonho antigo neste momento, que só foi possível graças a um trabalho de equipe, capitaneado pela Diretoria do Clube e encabeçado pelo Presidente Montenegro. Este trabalho  de reconstituição deste importante patrimônio histórico e cultural - foi feito com muito carinho e dedicação. Esta festa é uma forma de retribuição a todos que contribuíram para que este sonho se concretizasse e à toda torcida alvinegra". 

JOSÉ GOMES TALARICO, Diretor Jurídico da PEPS1
"É o fim de 19 anos de espera. Aqui passei minha infância e adolescência, foi nesta casa - a casa da gente - onde brinquei os primeiros bailes de carnaval. Espero que com esta nova Sede, novos botafoguenses se unam a nós e passem a fazer parte de nossa gloriosa história, seja nos campos de futebol, ou nas quadras de volêi, basquete, nas pistas de atletismo, nas piscinas, em todos os esportes".

BETH CARVALHO, Cantora

"O BOTAFOGO estava embaixo do viaduto, sem teto. Mas o lugar do BOTAFOGO é em Botafogo, de onde nunca deveria ter saído. Foi aqui que conquistamos grandes títulos. Estou muito emocionada, se continuar a falar e recordar os velhos tempos, vou acabar chorando".

NILTON SANTOS, o maior lateral esquerdo do Mundo
"Tenho certeza de que o BOTAFOGO ficará ainda mais forte na sua casa."

JAIRZINHO, Tricampeão do Mundo em 1970.

"Até os times adversários estão contentes com a nossa volta para General Severiano. Como jogador era cabeça de área - sempre fui perna de pau, como preparador físico e depois como técnico, me empenhei ao máximo como profissional. Mas sempre honrei a camisa alvinegra e hoje, mais do que nunca, entendo o porquê".
PAULO AMARAL, ex-jogador, preparador físico e técnico do BOTAFOGO.

Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Revista Oficial do BFR nº 249 de1996
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Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Boletim Planeta Botafogo de julho de 1998
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Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Boletim Planeta Botafogo nº 3 de setembro de 1998
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BEBETO 500 GOLS


A manhã de 23 de fevereiro foi de festa em General Severiano. O BOTAFOGO homenageava o seu grande ídolo do momento, o Tetra-Campeão Bebeto, que, vestindo a camisa do BOTAFOGO, atingira a marca dos 500 gols, no dia 11 de fevereiro, convertendo-o numa cobrança de falta, contra o Corinthians, no Morumbi. Na ocasião, o Presidente do BOTAFOGO, José Luiz Rolim e José Roberto Gama de Oliveira, o Bebeto, descerraram a placa alusiva ao feito do jogador, encravada na parede do prédio da concentração de General Severiano. Bebeto recebeu ainda, das mãos do Presidente Rolim, um placa de prata, pelo mesmo feito.
ESCOLINHA DO BEBETO 
Em seguida, o artilheiro foi para o campo de General Severiano, sendo recepcionado pelos alunos da Escolinha de Futebol do BOTAFOGO, que, a partir desta data em que se comemora os 500 gols de Bebeto (23 de fevereiro), passou a chamar-se "ESCOLINHA DO BEBETO". Gentilmente, Bebeto concedeu ao Clube o direito de usar o seu nome, o que certamente atrairá muitos alunos. Bebeto é um dos maiores craques de todos os tempos. Acresce-se a isto, o bom caráter, humanidade, companheirismo e profissionalismo. Bebeto é um exemplo a ser seguido por nossos atletas.

Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Boletim Planeta Botafogo nº 9 de março de 1999
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CARNAVAL GERAÇÃO SAUDE



Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Boletim Oficial Planeta Botafogo nº 09 de junho de 1999
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